Alcinopolis. Domingo, 21 de Abril de 2019. Boa Noite!

Agronegócio

Ações contra raiva são intensificadas em Mato Grosso do Sul

Ações contra raiva são intensificadas em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, equipes de controle da raiva da Agência Estadual de Defesa

Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), realizaram no mês de fevereiro um trabalho em 255

propriedades rurais em regiões de risco para ocorrência da raiva. Também foram vistoriados

99 abrigos onde foram capturados e controlados 567 morcegos hematófagos.

Segundo relatório apresentado pelo Fiscal Estadual Agropecuário, Fabio Shiroma de Araujo,

coordenador dos programas Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH) e de Prevenção

e Vigilância da Encefalopatia Espongiforme Bovina (/PNEEB), entre as ações preventivas, destacam-se

as realizadas às margens do Rio Pardo e afluentes (municípios de Santa Rita do Pardo, Bataguassu,

Brasilândia, Ribas do Rio Pardo) com vistoria de 45 abrigos onde 355 morcegos

hematófagos foram capturados e controlados.

Já na região Sudeste do Estado (Novo Horizonte do Sul, Batayporã, Taquarussú,

Nova Andradina), próximo às margens dos Rios Guiraí e Ivinhema, foram realizadas visitas

a 42 propriedades rurais em região com casos de raiva e vistorias em 14 abrigos com

captura e controle de 131 morcegos hematófagos.

Além destes, foram realizadas vistoria de abrigos nos municípios de Aral Moreira, Amambai,

Coronel Sapucaia, Aquidauana, Sidrolândia, Jaraguari, Nova Alvorada do Sul, Cassilândia,

Costa Rica, Pedro Gomes, Jardim, Guia Lopes da Laguna, Eldorado, Iguatemi,

Japorã, Mundo Novo, Itaquiraí, Caarapó.

Nesta sexta-feira, dia 15 de março, uma equipe esteve as margens da Serra do Rio Negro com

São Gabriel do Oeste para verificação da suspeita de raiva por conta da mortalidade de bovinos

e equinos. Na próxima semana eles realizarão ações de contenção de um

foco confirmado ás margens do Rio Negro, em Aquidauana.

Segundo Shiroma, a situação que será averiguada hoje serve como exemplo para lembrar

os produtores da importância de comunicarem o Iagro local sobre animais com sintomas

da raiva e a presença de abrigos de morcegos. “Se houver uma suspeita é importante ressaltar

que não se deve manusear o animal. Caso haja contato com animal com suspeita, ou haja

agressão de um cão, gato ou morcego o indivíduo deve procurar a Unidade Básica de

Saúde mais próxima, imediatamente”. Completou.

Raiva

A Raiva é uma enfermidade que acomete o Sistema Nervoso Central (SNC) dos mamíferos,

inclusive o Homem, e que a letalidade é próxima a 100%. Segundo a Organização Mundial

de Saúde Animal (OIE), morrem aproximadamente 60.000 pessoas por ano no Mundo por

conta desta zoonose. Desse montante, em torno de 95% dos casos foram adquiridos através

de agressões por cães, sendo que as crianças é são as mais afetadas nos países em

desenvolvimento. As ocorrências se dão tanto no meio rural quanto urbano.

Ciclo rural: a transmissão ocorre entre os morcegos, geralmente morcegos hematófagos

(que se alimentam de sangue). Quando estes estão contaminados com o vírus, transmitem

aos animais dos quais estão se alimentando (bovinos, equinos, ovinos, caprinos), sendo que

estes contraem a enfermidade e começam a apresentar os sinais clínicos

entre 30 e 60 dias após a contaminação.

Nesses casos, toda vez que os moradores da área rural encontrarem os animais com perda

de apetite, salivação, andar cambaleante, não consegue se alimentar nem se movimentar e

vem a óbito entre 3 e 7 dias após; possuírem animais com sugadura por morcegos hematófagos

e/ou tiverem conhecimento de abrigos com morcegos, comunicarem a Unidade Local da IAGRO

mais próxima e não manusearem estes animais. Vale lembrar que quando os morcegos

não encontram os animais, podem sim sugar os humanos.

Ciclo Urbano: é muito mais preocupante, pois os principais transmissores (cães, gatos e

morcegos) estão em íntimo contato com o Homem, aumentando assim a possibilidade de

contaminação ao ser humano. Nos cães e/ou gatos a transmissão ocorre entre eles e por

estarem próximos ao Homem podem agredi-lo e transmitir o vírus. Já nos morcegos

assim como nos cães a transmissão ocorre entre estes.

Quando estes estão contaminados e saem para se alimentarem (geralmente espécies

que se alimentam de insetos e frutas, ou seja, não hematófagos), não conseguem retornar

ao seu abrigo e são encontrados durante o dia nas casas/apartamentos ou quintais e que se

forem manipulados pela população ou animais (cães e gatos) podem transmitir a doença.

Quando um cão ou gato estiver com alteração do comportamento, salivação, agressividade,

ou encontrar qualquer morcego durante o dia na sua residência, procurar o Centro de

Controle de Zoonoses ou Vigilância Sanitária de seu município.

Kelly Ventorim, Semagro

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