Alcinopolis. Domingo, 16 de Junho de 2019. Boa Noite!

Campo Grande

Confira o editorial desta quarta-feira: "Mais que recurso, falta gestão"

Confira o editorial desta quarta-feira: "Mais que recurso, falta gestão"

Enfermeiros anunciaram paralisação ontem, em protesto ao atraso no pagamento do 13º;

o que a Santa Casa precisava para pedir mais recursos do governo.

Um dia depois da matéria publicada pelo jornal Correio do Estado sobre o plano perfeito da Santa Casa de,

aproveitando a insatisfação gerada pelo atraso nos salários, pedir aumento dos repasses recebidos da União,

do governo do Estado e da Prefeitura de Campo Grande, representantes dos enfermeiros anunciaram paralisação.

A manifestação seria justa se a Santa Casa não estivesse usando a categoria para forçar uma rodada de negociações.

Na ata de reunião da semana passada, da qual o Correio do Estado teve acesso, essa manobra chegou a ser citada

pela diretoria do hospital, que propôs a representantes de diversos sindicatos uma reunião com os gestores públicos.

A Santa Casa tenta passar aos seus funcionários e à opinião pública que faltam recursos, quando o que é escasso é a

competência da presidência da instituição. O funcionário pouca ou nenhuma responsabilidade tem quanto aos

repasses estarem em dia ou não. Isso é atribuição exclusiva da diretoria da unidade,

que, por sinal, tem outras fontes de renda.

Logo, fica claro que o maior hospital de Mato Grosso do Sul precisa é de gestão, caso contrário,

continuará sendo esse saco sem fundo de recursos públicos. Qualquer gestor, do setor público ou privado,

sabe que a sobrevivência de empresa ou instituição depende de fluxo de caixa. Se é sabido que repasses do SUS

acontecem em determinado dia e o salário dos funcionários precisa ser pago antes disso, é essencial que se crie

uma reserva. Agora, a impressão que se tem na Santa Casa é que justamente o salário dos profissionais que atuam lá,

que deveria ser prioritário – como ocorre em qualquer lugar –, está em último lugar na lista de prioridade de pagamento.

Só não se sabe até que ponto esse esquecimento é proposital.

Ainda não é conhecido, por exemplo, o motivo pelo qual a Santa Casa vincula o pagamento dos servidores –

essa é a desculpa dada toda vez que atrasam os salários – exclusivamente aos repasses dos governos federal,

municipal e estadual, quando se é notório que não só o Sistema Único de Saúde (SUS) é atendido na  instituição.

Além da rede pública de saúde, o hospital atende a particulares e planos de saúde, incluindo o dela mesma.

O que é feito com o recurso gerado por esses atendimentos no setor privado? Eles também não são usados

para custear, ao menos, a parte que lhe cabe?  Essas são algumas das centenas de dúvidas que giram em

torno da capacidade de gestão da diretoria daquele hospital e que vão continuar até que se explique direito

o que é feito do recurso do SUS, pago pelos contribuintes. O Correio do Estado não será massa de manobra e

vai continuar cobrando uma explicação plausível para um deficit tão alto das contas da Santa Casa. 

CORREIO DO ESTADO

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