Alcinopolis. Domingo, 23 de Setembro de 2018. Bom Dia!

Educação

Entrevista do mês: Lílian Flávia Muller, Especialista de Educação

Entrevista do mês: Lílian Flávia Muller, Especialista de Educação

Entrevista do mês: Lílian Flávia Muller, Especialista de Educação

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Com esta frase de Nelson Mandela, começamos a nossa Entrevista do Mês com Lilian Flávia Muller, que é Especialista de Educação, supervisora pedagógica das escolas municipais de Alcinópolis. 

Recentemente, Lilian concluiu o Mestrado Profissional em Educação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, onde concorreu com 126 profissionais para 15 vagas. Depois de passar pelas etapas de entrega e análise de documentos que comprovavam a formação, Currículo Lattes e memorial formativo; Prova Escrita; Projeto de Pesquisa e Entrevista, foi aprovada e classificada em 2º lugar.

Confira abaixo a entrevista: 

Prefeitura: Qual critério usou para a escolha do curso? 

Comecei a investigar na internet as Universidades Públicas que ofertavam o Mestrado no nosso estado, pois nas instituições particulares o investimento é muito alto e não tem o mesmo reconhecimento. Achei muito interessante a proposta do Mestrado Profissional da UEMS em Educação, e escolhi porque acreditava que teria mais prestígio do que o Mestrado Acadêmico. Este programa tem a mesma estrutura do acadêmico, mas com uma missão a mais, além de compor a Dissertação, é exigido a apresentação de uma Proposta de Intervenção para a educação básica, o que beneficia a sociedade.
 

Prefeitura: O que mais te impulsionou a ingressar no mestrado?
 
Lilian: A busca pelo aperfeiçoamento profissional é sempre uma constante em minha vida e o Mestrado era um dos meus muitos sonhos, uma meta de vida desde quando eu era professora, no entanto, ao assumir o concurso de Especialista de Educação na Secretaria Municipal de Educação, esse desejo tornou-se uma necessidade, visto que, passei a trabalhar com a formação de professores, o que é um grande desafio. 

Quando era professora de Língua Portuguesa do 9º ano me sentia incomodada com as cobranças para melhorar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), média da Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc), popularmente conhecida como Prova Brasil, que traz uma carga de responsabilidade muito grande, a qual recai principalmente sobre os professores de Língua Portuguesa e Matemática do 9º ano e regente do 5º ano. Eu ficava inconformada com o fato da melhora do índice ser colocada como uma condição para garantia de direitos em relação à valorização profissional. E foi essa vontade de compreender a política de avaliação em larga escala e colaborar com o trabalho dos professores da rede municipal de ensino, que me impulsionou a ingressar no Mestrado.
 
Prefeitura: Qual foi a sua abordagem de pesquisa?

Minha orientadora da pesquisa sugeriu que eu investigasse a Avaliação Nacional da Alfabetização, que também é uma avaliação externa, que avalia as crianças do ciclo de alfabetização com média de 8 anos de idade, pelo fato de atuar como Coordenadora Local do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa no município e por ser a mais recente avaliação do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), pois já havia muitas pesquisas publicadas sobre o IDEB e eu aceitei o desafio.
 
Prefeitura: Como foi a sua experiência durante os anos do curso? 

Desde o momento da aprovação no Mestrado a minha vida começou a mudar. Já tinha o apoio do meu marido, filho e mãe desde que decidi tentar a vaga, mas foi preciso começar a planejar as mudanças que ocorreriam na nossa rotina, porque eu teria que frequentar as aulas em Campo Grande-MS, ter momentos de concentração para os estudos - a minha decisão e ausência mudou inclusive a programação da vida deles. 

Foram mais de dois anos de muito estudo, esforço e disciplina, tive que abrir mão de momentos de descanso, lazer, convívio com familiares e amigos. Foram muitas noites sem dormir, muito complicado também conciliar família, afazeres da casa e o trabalho com os estudos, mas graças a Deus, familiares, amigos e também ao apoio dos colegas de trabalho e gestores (Secretárias de Educação Sara Geraldi e Márcia Izabel e Prefeitos Ildomar Carneiro e Dalmy Crisóstomo) foi possível concluir o mestrado. Aliás, cabe mencionar a importância da participação da Secretária de Educação Márcia Izabel de Souza e do técnico da SEMED Jesus Aparecido de Lima no ato da Defesa da minha Dissertação, atitude que foi elogiada pelo Programa e de alegria para mim. 

Tenho muito a agradecer a muitas pessoas que diretamente e indiretamente colaboraram comigo, em especial aos professores do Mestrado, familiares, amigos, aos sujeitos da pesquisa, alfabetizadoras, coordenação pedagógica e direção escolar da EMAC e EERCC e a Coordenadora Geral do PNAIC em MS Profa. Dra. Regina Aparecida Marques da UFMS.

Aprendi muito no Mestrado, conquistei novas amigas, tive excelentes professoras e a excelente orientação da Profa. Dra. Vilma Miranda de Brito, que tenho eterna gratidão. Frequentar as aulas era muito complicado, pude contar com a ajuda inclusive da Secretaria de Saúde e motoristas, visto que as aulas eram semanais e os horários de ônibus não correspondiam ao cronograma. 

Com certeza as palavras gratidão, conhecimento, amizade, resiliência, transformação e realização resumem a experiência do mestrado. 

Prefeitura: Como este mestrado fará a diferença em sua vida pessoal e profissional?

Na verdade, o Mestrado desde o início começou a fazer diferença na minha vida pessoal e profissional, com certeza tornei-me uma pessoa mais forte, segura e determinada – as dificuldades nesse período foram muitas, mas também houve momentos de alegria; muito do que ia aprendendo nas aulas, nas pesquisas e estudos e também na interação com meus colegas de curso, já passava a por em prática no meu trabalho. Durante o período do Mestrado participei de eventos científico-acadêmicos apresentando o resultado das pesquisas e experiências e também divulgando o nosso município. 

Nas formações com os professores da rede municipal já contemplei dados e estudos do Mestrado e quando colocar em ação a Proposta de Intervenção apresentada ao Programa e Banca, com certeza conseguirei contribuir muito mais, além de divulgar aos meus colegas de trabalho e sociedade os resultados da pesquisa, porque não faz sentido obter conhecimento e não compartilhá-los. 

Prefeitura: Quais os planos para a sua carreira profissional? 

São muitos, eu vivo fazendo planos. Estudar, continuar me aperfeiçoando para me tornar uma pessoa e profissional melhor a cada dia é a minha busca incessante. Penso em futuramente ingressar no Doutorado, mas hoje a minha prioridade é colaborar com a educação do nosso município. Tenho convicção da importância da educação na vida das pessoas, pois a educação transforma, nos prepara para a vida em sociedade.

Prefeitura: quais são seus sonhos para a educação em Alcinópolis?

Sonho que todas as crianças de escola pública tenham educação de qualidade, não que obtenham boas notas nas avaliações externas que avaliam algumas habilidades de Linguagem e Matemática, mas que sejam o principal foco da escola e tenham os direitos de aprendizagem garantidos, nas múltiplas dimensões do conhecimento, tornando-se autônomas, críticas e conscientes do papel na sociedade, que saibam respeitar as diferenças, ajudar o próximo e assim teremos uma sociedade mais justa e promissora. 

Também é um sonho a valorização profissional, pois nós professores, somos profissionais 24 horas por dia, acordamos e dormimos pensando na educação das crianças, na nossa missão, estamos sempre estudando, deixando muitas vezes a nossa família em segundo plano e infelizmente, esse esforço não é muito reconhecido.

Prefeitura: qual mensagem você gostaria de deixar para os nossos leitores?

Espero que essa minha conquista seja motivação para outros professores e a grande certeza que tive no mestrado é que ainda há muito que aprender, transformar e amadurecer. Coloco-me como uma eterna aprendiz e encerro valendo-me das sábias palavras de Paulo Freire: “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre. (Pedagogia do Oprimido, 1983). 

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