Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense

Publicado em: 20/11/2008 - 00:00:00
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Fundação: 15 de setembro de 1903

Porto Alegre-RS 

Estádio: Olímpico Monumental

Capacidade: 55 mil pessoas 

Presidente: Paulo Odone

Site oficial: www.gremio.net 

 

Para mudar a história, nada como um pouco de curiosidade e uma bola de futebol embaixo do braço. Que o diga Cândido Dias da Silva, um atento espectador do jogo amistoso de foot-ball disputado em 7 de setembro de 1903 entre os ingleses e alemães que jogavam em equipes do Rio Grande do Sul. Chute de fora área vai, bico para o mato vem, a bola da partida murchou. Todos se olharam com cara de decepção e interrogação até que apareceu Cândido, oferecendo a bola que levava consigo. A exibição terminou normalmente e o rapaz ganhou moral para conversar com os atletas. Recebeu lições sobre a modalidade e, principalmente, sobre como montar seu próprio clube. Uma semana depois, no dia 15 de setembro, Cândido Dias da Silva já estava reunido com 32 colegas num restaurante, oficializando a fundação do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Na época em que o futebol ainda era amador e as bases ainda estavam sendo consolidadas, o Grêmio tratou de se fortalecer: em 1904 adquiriu um terreno – a Baixada dos Moinhos de Vento – para receber treinos e jogos. Em 1909, veio a primeira edição daquele que se tornaria um dos maiores clássicos (e uma das maiores rivalidades) do futebol brasileiro. No dia 18 de julho, o Tricolor enfrentou o Internacional e abriu a contagem histórica a seu favor com retumbância: 10 x 0. Durante toda a década seguinte, o futebol no Rio Grande do Sul se desenvolveu aos poucos e regionalmente: os gremistas foram pentacampeões citadinos entre 1911 e 15 e já eram uma das potências do Estado quando o Campeonato Gaúcho foi instaurado, em 1919. As duas edições inaugurais foram vencidas por clubes do interior – Brasil de Pelotas e Guarany de Bagé, respectivamente -, mas logo veio a primeira conquista estadual. Com os artilheiros Bruno, Lagarto e Ramón comandando o ataque e já com aquele que seria um de seus maiores ídolos, o goleiro Eurico Lara, o Grêmio conquistou o bicampeonato 21/22. A mesma base repetiu a dose em 26 – ano em que Coró foi o artilheiro do Estado.

A década de 30 começou com outro bicampeonato, em 31/32, quando outro nome se somou ao de Eurico Lara no grupo de grandes heróis daquela fase amadora do Tricolor. Na equipe que ainda tinha Foguinho, Poroto, Darci e outros, Artigas foi o grande nome das conquistas, conquistando o título de artilheiro em ambas temporadas. Veio, então, uma etapa de transição para o profissionalismo que não foi de todo tranqüila para os gremistas. Durante 14 anos, o time ficou sem conquistar o título gaúcho – período em que ainda teve que assistir ao incômodo hexacampeonato 1940/45 do Internacional. O triste inverno terminou com a formação de mais uma grande equipe, comandada por Sanguinetti, Clarel e os artilheiros Cordeiro e Hélio. O Grêmio foi campeão gaúcho de 46 e repetiu o título em 49, com o ataque reforçado por Geada e Hermes. Foi nesse período que o Tricolor começou a levar seu nome para o exterior, como na viagem a Montevidéu em 49 – quando bateu o poderoso Nacional por 3 x 1 no estádio Centenário.

 

 
Time quase imbatível do Grêmio nas décadas de 50 e 60

O clube se dava conta dos rumos que o futebol tomava e dava os passos necessários para se adaptar à modernidade e ao profissionalismo. Logo após a inauguração do estádio Olímpico Monumental, em 54, começou uma era de infindáveis conquistas; de um total de 12 títulos gaúchos ganhos em 13 disputados. Entre 56 e 68, o Tricolor só perdeu o de 61. Durante esse período, se destacaram Calvet, Hércio, Toquinho, Gessi, Marino, Giovani¸Juarez, Alcindo e o titular da Seleção tricampeão no México em 70, Everaldo, entre tantos outros. A base não era forte apenas em comparação com o futebol do Rio Grande do Sul na época, mas dentro de todo o Brasil. Nas primeiras edições da Taça Brasil, o Grêmio chegou duas vezes às semifinais – em 59 e 63 – assim como no Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 67. Foi um período glorioso cujo término coincidiu com o crescimento de uma geração talentosa no rival Internacional, que dominaria a década de 70 tanto dentro do Estado quanto em nível nacional.

 

 
Gazeta Press
Hugo de León em 1981
Enquanto isso, o Grêmio trabalhava em sedimentar sua base para uma época que mudaria a cara do clube. Outra vez, a conclusão de obras no estádio coincidia com o início de uma fase de sucesso. O Olímpico foi reinaugurado em 1980 e, no ano seguinte, a equipe comandada por Ênio Andrade, com Leão, o uruguaio Hugo De León, Paulo Isidoro e o “artilheiro de Deus” Baltazar conquistou o Campeonato Brasileiro ao bater o São Paulo. O bicampeonato ficou bem perto, quando, em 82, o Tricolor – já com Renato Portaluppi (que ainda não era “Renato Gaúcho) como titular - foi derrotado na final pelo Flamengo. O título não veio, mas veio outra classificação para a Libertadores da América. Era o passaporte para o Grêmio ganhar fama internacional: primeiro foi o título sul-americano com duas vitórias sobre os uruguaios do Peñarol; depois, como resultado, a viagem até o Japão para enfrentar os alemães do Hamburgo na Copa Intercontinental. O Grêmio alinhou Mazarópi, Paulo Roberto, Baidek, De León e Paulo César; Magalhães, China, Osvaldo (Bonamigo) e Mário Sérgio; Renato Portaluppi, Tarciso e Paulo César Caju (Caio).
 
Reprodução
Renato contra o Hamburgo
Dois gols de Renato pintaram o mundo de tricolor. Começava ali um termo que durante as duas décadas seguintes seria constantemente associado ao Grêmio: “time copeiro”.

A partir do título máximo, as conquistas se seguiram num ritmo alucinante. Começando pelo hexacampeonato gaúcho entre 85 e 90. Mas, além disso, iniciava-se a tradição gremista na Copa do Brasil: os gaúchos venceram a edição inaugural ao derrotar o Sport de Recife. Foi o auge da equipe que tinha sua maior arma na habilidosa dupla de meio-campo formada por Cuca e Assis (futuro “irmão-de-Ronaldinho”). A seqüência de sucessos, porém, foi seguida de um lapso: em 91, o Grêmio fez péssima campanha e foi rebaixado para a segunda divisão do Brasileiro na temporada seguinte. Por sorte, a CBF mudou as regras na última hora e, em vez de quatro, aumentou para 12 o número de equipes classificadas para a elite em 93. Os gremistas terminaram a série B num insosso 9º lugar, mas ainda assim conseguiram acesso. Foi, realmente, apenas um acidente, porque logo as coisas tomaram o seu rumo. Principalmente a partir da chegada de um sujeito durão e imensamente competente ao banco de reservas: 1993 marca o início da “Era Scolari”.

Luiz Felipe Scolari deu espírito vencedor e guerreiro a um grupo que tinha Danrlei, Roger, Carlos Miguel e Nildo como atrações. Com eles, foi campeão da Copa do Brasil em 94 e terminou de montar a base para uma conquista ainda maior: Arce, Adílson, Dinho, Arílson, Jardel e Paulo Nunes completaram a equipe que se tornou invencível em toda a América do Sul: a segunda Libertadores da história gremista veio em 1995. E o time esteve a um passo de destronar aquela que era considerada, de longe, a melhor equipe do mundo na época, o Ajax. O bicampeonato da Copa Intercontinental só esbarrou nos holandeses, na disputa de pênaltis. Muita gente, a essa altura, não aturava o Grêmio – que vencia tudo. Mas não havia quem não admirasse. Aquele grupo, também com Emerson, ainda rendeu o título da Recopa Sul-Americana e o bicampeonato brasileiro, em 96: após ter sido derrotado por 2 x 0 pela Portuguesa em São Paulo, o Tricolor devolveu o placar no Olímpico, graças a um gol salvador de Aílton. Foi a última conquista de Felipão no comando do time.

 

 
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Grêmio na Libertadores de 1995; no detalhe, Luiz Felipe Scolari

A condição de time infalível nos torneios de mata-mata estava consolidada: a mesma base dos títulos anteriores levou para casa também a Copa do Brasil de 97. Imediatamente após aquele título, surgiu das categorias de base gremistas um nome para encantar o planeta – começando pelas finais do Gauchão de 1999, quando deu o título ao Tricolor e, no processo, encerrou aos dribles a carreira de Dunga, que havia voltado ao Internacional.

 
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Ronaldinho brilhou como sempre
No pouco tempo que teve para brilhar no Grêmio, Ronaldinho chamou a atenção e acabou negociado com o Paris Saint-Germain em 2000, numa disputa jurídica que frustrou boa parte da torcida gremista.

Em 2001, com uma grande vitória por 3 x 1 sobre o Corinthians, a equipe de Ânderson Polga, Tinga, Mauro Galvão e Marcelinho Paraíba chegou ao inédito tetracampeonato da competição. Foi o último título antes de a sorte virar de lado: o Internacional foi tetracampeão gaúcho entre 2002 e 2005, sem que o Grêmio sequer chegasse a final. O tempo era claramente de entressafra, e isso ficou provado na temporada de 2004, quando o Tricolor fez uma campanha sofrível no Brasileirão e, com a última posição, foi rebaixado à série B. Foi triste, mas foi o estopim que faltava para uma geração talentosa florescer e encontrar o palco ideal na segunda divisão. Foi emblemático que o gol decisivo daquele que foi um dos jogos mais emocionantes da história do futebol brasileiro tenha sido da jovem revelação Anderson. O meia decidiu a “Batalha dos Aflitos”, que garantiu o retorno do Grêmio à elite e deu mais uma taça à galeria tricolor. No ano seguinte, já estava tudo de volta ao normal: com ainda outro craque revelado nas divisões inferiores, o volante Lucas, o time foi campeão gaúcho de 2006 e terminou o Brasileirão em 3º lugar, retornando à Libertadores. Não só retornando, mas quase voltando a vencê-la: Schiavi, Diego Souza, Carlos Eduardo e companhia chegaram à final, mas não puderam com o Boca Juniors de Riquelme. O tricampeonato do continente não veio, mas o respeito, esse já estava mais do que reconquistado.

 

 
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Anderson participou do histórico jogo contra o Náutico, a "Batalha dos Aflitos"

*Atualizado em 10 de junho de 2008



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