O PREÇO DA VIDA - ABORTO
Publicado em: 30/01/2009 - 00:00:00
Com certos princípios, não negociamos. Estão acima das circunstâncias transitórias, dos episódios contextuais, das exceções culturais, das ideologias políticas, pressupostos religiosos e correntes filosóficas.
O direito à vida é um desses princípios inegociáveis.
Do ponto de vista de quem crê, a vida é um dom divino. Não pertence à esfera humana a decisão sobre sua continuidade ou interrupção. Por isso, as pessoas de fé posicionam-se, normalmente, contra a pena de morte e o aborto (que não deixa de ser, também, e à sua maneira, outra pena de morte — com a diferença de que o feto nenhum crime cometeu para merecê-la).
Do ponto de vista de quem não crê — ateus, céticos e agnósticos de modo geral — a vida também é inviolável. Porque a ética não depende de dogmas religiosos, e sim da busca do bem comum, o sumom bonum mencionado por Aristóteles. A preocupação ética, citando o italiano Umberto Eco, conhecido autor agnóstico, começa quando o outro entra em cena. No caso do aborto, o feto é o outro, o próximo mais próximo, um ser vivo à imagem e semelhança de Deus — mesmo se apenas em formação no aconchego do útero.
A quem pertence, pois, a vida? Não a nós mesmos, por isso o suicídio é inaceitável. Nem à mãe que gera, daí porque o aborto não pode ser considerado uma opção natural. E o apelo de mulheres favoráveis à legalização do aborto, sob o argumento de que são as donas dos seus próprios corpos, torna-se um sofisma inadmissível, uma autêntica falácia. Não se aniquila um feto como se fosse um tumor a ser extirpado.
Convém lembrar a opinião de Julian Marías, um dos herdeiros intelectuais do filósofo Ortega y Gasset: “Quando se provoca o aborto ou se enforca alguém, não se interrompe a gravidez ou a respiração; em ambos os casos mata-se uma pessoa.”
Evitar o nascimento de alguém indesejável não é algo que se possa fazer após a concepção da vida. Planejamento familiar, promoção de sexualidade responsável e orientação de jovens e adolescentes são passos fundamentais para que não haja gravidez indevida. Uma vez fecundado o óvulo, só devemos cultivar o respeito e a reverência à existência do novo ser.
Por outro lado, é necessário incrementar fórmulas de apoio a mulheres em situações difíceis que, sem esses meios de auxílio, acabam seguindo a tortuosa e traumática trilha do aborto. O triste caso de mulheres estupradas é um claro exemplo de um drama pessoal que precisa ser tratado, inclusive de modo psico-terapêutico quando necessário, para evitar males maiores, como a simples eliminação de vidas inocentes.
Coloquemo-nos, sempre, a favor da vida. Seu preço é inegociável. Defendamos o direito à vida — e, em especial, como ensina a ética do profetismo hebraico e do Evangelho de Jesus Cristo, o direito à vida dos indefesos. Pois, afinal, o mais grave homicídio é o que se comete contra aqueles que sequer podem se defender.
Édino Fonseca
matéria escolhida por JORDELINO GARCIA DE OLIVEIRA OAB-MS para refletir sobre a vida.

















