Esporte Clube Vitória

Publicado em: 21/02/2009 - 00:00:00
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Fundação: 13 de maio de 1899 Salvador-BA 

Estádio: Manoel Barradas (Barradão)

Capacidade: 32 mil pessoas 

 Presidente: Alexi Portela Júnior

Site oficial: www.ecvitoria.com.br

O mundo, no final do século 19, era outro. Enquanto a belle époque influenciasse a humanidade a partir de Paris, não dava para esperar que clube nenhum do Brasil nascesse voltado para o futebol. Por isso, não deixa de ser verdade quando se fiz que o Vitória, fundado em 1899, é um dos clubes mais antigos do País. Mas também não há como se desviar do fato de que, quando a agremiação fundada pelos irmãos Artur e Artêmio Valente nasceu, seu nome era Club de Cricket Victoria. Na época, pensar em se dedicar ao cricket ou ao “foot-ball” não fazia muita diferença. Bastaram só alguns anos, no entanto, para as coisas tomarem seu rumo.

Um ano após ser fundado, o Victoria começou a se dedicar ao futebol. A primeira partida de que se tem registro foi em 22 de maio de 1901, contra um combinado de tripulantes dos navios ingleses atracados no porto ao qual se deu o originalíssimo nome International Sport Club. O Victoria venceu por 3 x 2 e escreveu a primeira linha de sua história nos campos. Não demorou para a coisa ficar mais séria. Já em 1903, sob o nome Vitória e com uniforme rubro-negro, o time bateu o São Paulo-Bahia (equipe formada pela colônia paulista em Salvador) por 2 x 0 em sua estréia num torneio organizado. No ano seguinte, foi um dos fundadores da Liga de Futebol da Bahia, responsável por organizar o primeiro Campeonato Baiano. O título ficou com o International Sport Club, e o Vitória terminou em 3º. Quando o título estadual chegou, veio em dobro: o bicampeonato 1908/09.

O futebol brasileiro, e especificamente o baiano, só continuou crescendo ano após ano. Crescendo e caminhando cada vez mais sem volta em direção ao profissionalismo. O Vitória, porém, custou a se adaptar a essa mudança. O que se seguiu ao bicampeonato inaugural foi um enorme e duríssimo período em que Ypiranga, Galícia e principalmente o rival Esporte Clube Bahia dominaram completamente o futebol do Estado. Durante décadas, o máximo de motivo que o clube tinha para ser famoso era a presença de jogadores de qualidade e/ou folclóricos, como o atacante Novinha, o zagueiro Umbelino (que também atuava na equipe de basquete!), ou ídolos da década de 40 como o artilheiro Siri e seu irmão Bengalinha. Isso para não falar das arquibancadas, onde reinava a animação do apaixonado Osvaldo Hugo Sacramento, mais conhecido como “Barão de Mococoff”.

O fato é que, até 1952, o futebol rubro-negro era absolutamente amador. Quando, no ano seguinte, o esporte passou a contar com um departamento autônomo e profissional, a coisa mudou imediatamente de figura. A maioria dos torcedores da equipe nunca sequer havia comemorado um título estadual, afinal, já fazia 44 anos. Dá para imaginar, portanto, o tamanho da festa quando o time de Alírio, Valvir, Juvenal (conhecido também por seu apelido rural, Jegue Alemão) e do artilheiro Quarentinha quebrou o insuportável tabu em 53. A partir dali, as conquistar voltaram a ser praxe: com Elói e Pinguela, vieram mais dois títulos, em 55 e 57.

 
Gazeta Press
Mário Sérgio
A década de 60 também foi profícua em heróis para a torcida: o Leão ganhou fama de ter a melhor linha de defesa do Nordeste, com Ourí, Tinho, Romenil e Mundinho. Com essa segurança e os gols do atacante Didico, o rubro-negro levou o segundo bicampeonato de sua história em 64/65.

Se dentro da Bahia a década de 70 não foi lá de grandes glórias – um título estadual, em 72 -, por outro lado o Vitória ganhou uma projeção nacional sem precedentes. O time liderado pelo talento quase irresponsável de Mário Sérgio e pelos gols do baixinho Osni esteve a um passo de chegar à semifinal do Brasileirão de 74 - quando acabou eliminado pelo Vasco, que se sagraria campeão. Apesar de ter conquistado apenas a Copa Norte-Nordeste, o time de 1976 também fez fama, graças à presença de ídolos como Geraldão e os argentinos Andrada e Fischer. Tudo isso mais a presença chamativa da torcida na arquibancada contribuiu para a simpatia que o Vitória ganhou em todo o Brasil.

 

A torcida tem tanta importância na história do clube que um dos marcos da década de 80 tem a ver não com o que aconteceu dentro do campo, mas fora: numa partida contra o Grêmio pelo Brasileiro de 81. Depois de a equipe sofrer o primeiro gol, a torcida organizada Vitoraça encheu o peito para gritar “Leeeãããooo, Leeeãããooo”.Quando o Vitória, contagiado, empatou, o resto do estádio embarcou no grito também. Só que o pessoal não havia entendido direito o que estava sendo gritado e entoou um “Neeeegooo, Neeegooo”.

 
Bebeto ainda garoto
A rapaziada da Vitoraça fez cara de quem estava achando tudo muito natural e se juntou ao “Neeeegooo, Neeegooo”, que assim, de um jeito meio surrealista, virou grito de guerra. Mas a década de 80 teve mais do que isso: teve o surgimento de um craque nas divisões de base, Bebeto,  e jogadores de destaque como o goleiro Bagatini e principalmente o centroavante nigeriano (!) Ricky – artilheiro do Campeonato Baiano em 84 e 85. E foi, ainda, o momento de realização de um sonho antigo, o da casa própria. Em 11 de novembro de 1986, o Barradão foi inaugurado, num empate entre Vitória e Santos. A reinauguração aconteceria em 91, quando o rubro-negro passou a mandar jogos oficiais em sua casa.

É aqui que entra em cena com mais destaque aquele que, até hoje, é o grande motivo pelo qual o Vitória é conhecido em todo o Brasil. Enquanto o time de Arturzinho e Zé Roberto se sagrava campeão baiano de 92, a divisão de juniores do Leão preparava uma fornada de talentos que estaria no topo do futebol do Brasil nos anos seguintes: Alex Alves, Dida, Paulo Isidoro, Rodrigo, Vampeta. Todos eles foram fundamentais na melhor campanha do rubro-negro em Campeonatos Brasileiros até hoje. Em 93, o Vitória dirigido por Fito Neves só foi esbarrar na final, diante do timaço do Palmeiras. Então, virou praxe trazer gente de primeira para o cenário: com o lateral-esquerdo Júnior, o goleiro Fábio Costa e o atacante Cláudio, além de uma brilhante contratação como a de

 
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Petkovic brilhou no Vitória
Petkovic, o Vitória viveu uma década de domínio absoluto do Estado, dois títulos da Copa Nordeste e mais uma grande campanha no Brasileiro, em 99.

Tudo isso seguiu na mesma toada no princípio dos anos 2000, quando o Vitória conquistou outra Copa Nordeste e tomou conta do estadual entre 2002 e 2005. Matuzalém, Adaílton, Dudu Cearense, Nádson, Obina: a fonte parecia que jamais ia secar. Mas secou. De uma hora para outra, ou de uma transferência para outra. Após começar a temporada de 2004 como líder do Brasileiro e semifinalista da Copa do Brasil, o rubro-negro entrou num buraco negro: acabou rebaixado para a série B e, como se não bastasse, no ano seguinte afundou ainda mais. Foi parar na série C, a terceira divisão do Brasileiro. Se servia como consolo (e a verdade é que, sim, servia), ao menos o rival Bahia acompanhou o clube na queda livre.

Leandro Domingues, Índio, Marcelo Moreno e companhia trataram de aproximar as coisas de seu devido lugar em 2006, quando o Vitória foi vice-campeão da série C atrás do Criciúma e subiu à segunda divisão. Apodi, Joãozinho e Jackson brilharam para conseguir outra campanha histórica, a da recuperação. Em 2007, o Vitória foi o 4º melhor time da série B e trouxe sua prodigiosa fábrica de revelações de volta aos holofotes. Agora, na série A, é outra vez hora de ficar atento àqueles que têm grandes chances de ser nomes para o futuro do futebol do Brasil.

 
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Jackson foi o grande destaque dos acessos do Vitória nas Séries C e B

*Atualizado em 11 de junho de 2008



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