Conheça a história de Campo Grande-MS
Publicado em: 24/08/2009 - 00:00:00
Campo Grande completa 110 anos na próxima quarta-feira (26). Viaje no tempo e conheça ou relembre a época em que os bandeirantes chegaram, seguindo o curso das águas. A localização, bem no centro de Mato Grosso do Sul, fez com que Campo Grande ficasse conhecida como “a terra onde todos os caminhos se cruzam”.
Os prédios modernos se multiplicam no horizonte da terra onde todos os caminhos de cruzam. Aos poucos o cenário se torna comum. No encontro dos rios, onde tudo começou, quase não é possível ver as águas que fizeram surgir o primeiro arraial. Campo Grande centenária debuta para a modernização.
A cidade não para com o trânsito agitado e ainda tem muito a crescer. Campo Grande é a quarta maior Capital brasileira em área territorial e a sexta menor em densidade demográfica. Há pouca gente, muito espaço e pouco tempo. Porém, neste aniversário de 110 anos é importante fazer uma pausa para voltar ao passado.
A busca pela história começa no Instituto Histórico e Geográfico em Campo Grande, onde cerca de 40 pesquisadores associados se dedicam a conhecer melhor a cidade. O historiador Hildebrando Campestrini é um deles. Há 40 anos ele busca histórias de quem já passou pela cidade. Em um emaranhado de fatos, fotos e relatos ele garante que ainda há muito a descobrir.
“Há 12 anos nós tínhamos apenas um material mimeografado sobre Campo Grande. Hoje nós já passamos dos 250 títulos. Isso significa que há um envolvimento muito grande por parte dos historiadores, memorialistas, professores e acadêmicos com o resgate da história de Campo Grande”, explica o historiador.
Os primeiros bandeirantes chegaram no local seguindo o curso das águas no século XVIII. Para a surpresa de muitos deles, já havia gente por aqui. A estimativa é de que há mais de 5 mil anos a região de Campo Grande já era habitada.
“Desde caçadores, coledores pré-históricos até índios já agricultores, por exemplo, que fizeram alguns artefatos”, enumera o arqueólogo, Gilson Martins.
Durante dois anos, o arqueólogo fez escavações na área do Parque das Nações Indígenas. Ele descobriu no local um dos maiores sítios arqueológicos da Capital.
“Uma simples lasquinha é um vestígio do trabalho de algum índio que viveu aqui antes do descobrimento do Brasil fazendo uma ferramenta de pedra para cortar, raspar ou furar”, elucida Gilson Martins.
A área foi tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Do local foram retiradas ferramentas, utensílios e provas de uma vida primitiva.
“Os índios também não tinham uma coexistência pacífica entre eles. Eram grupos e sistemas culturais bem distintos na língua, na mitologia, nos hábitos e também no espaço. Cada um tinha o seu território e defendia o seu território como qualquer povo faz”, conta o arqueólogo.
Religião
Santo Antônio também tem sua parte na história.
“Sempre fui devota dele, porque ele nasceu em Portugal, lá na minha terra”, disse Deolinda Granja Cepa, aposentada.
Hoje a paróquia é moderna e construída para receber o próprio Papa. Entretanto, antes disso ela já teve outros formatos. A primeira era muito simples (ver foto acima) e deu lugar a nova em 1926. Foram pelo menos cinco grandes reformas.
“Daqui três anos esta vai ser a primeira igreja do nosso Estado que vai completar um centenário de existência . Sem dúvida ela nasceu com a fé do campo-grandensse em Santo Antônio e permanece, graças a Deus, por todo esse tempo”, garante o padre Vagner Divino de Souza.
Um dos fatos mais curiosos de Campo Grande está registrado nos arquivos do Tribunal de Justiça. Um processo datado de 1913 e escrito à mão conta um fato com os dois primeiros padres da paróquia de Santo Antônio, Mariano João Alves e José Joaquim de Miranda. Os dois brigaram na Justiça pelo direito de ter a chave da igreja. A confusão deu muito o que falar.
No processo estão os detalhes da briga que começou quando o bispo resolveu mudar o padre da paróquia.
“O novo padre, no caso o padre Mariano, teve que procurar a Justiça. Ele entrou com um pedido de habeas corpus para que pudesse ter acesso livremente à igreja e conseguir exercer lá o seu ministério”, conta o coordenador do memorial, José Carlos dos Santos.
O coordenador conta que, mesmo com a decisão da Justiça, foi difícil tirar o vigário de lá. “Quase um mês depois o juiz determinou que o cônego José Joaquim fosse até a Justiça para entregar as chaves.”
Caminho registrado
“Uma légua a mais e entramos em Campo Grande. Esta extensa campina constitui o vastíssimo chapadão de mais de 50 léguas de extensão.”
Esta é a descrição de Campo Grande em 1867. As palavras foram escritas pelo tenente Alfred Taunay, que depois ficou famoso como o Visconde de Taunay. O Colégio Militar fica exatamente na rota dele por esta região. O assunto virou lição em sala de aula.
“Ele foi por cima de um morro comprido até onde, mais ou menos, fica a ucdb hoje. O caminho natural era passando aqui por esse terreno onde hoje fica o Colégio Militar”, ensina o coronel e professor Francisco José Mineiro Júnior.
Ninguém imaginava que a história tão distante poderia ter passado tão perto.
“É bom mostrar para os alunos que a história está no dia a dia. A importância dela não está em decorar um monte de datas e nomes, mas perceber o quanto esses nomes e fatos que aconteceram há 100, 200 ou 1 mil anos influenciaram no dia a dia”, relata o professor.
A história vista de perto parece ter deixado novas marcas.
“Eu olho e penso que aqui já passaram muitos anos e eles tiveram muita dificuldade. Era um caminho bem longo”, fala a pequena Giovana Lopes, de 10 anos.
“Eles passaram aqui pelo terreno do colégio. Eles passaram andando por aqui e a gente pensa 'um homem que tentou salvar o mundo passou por aqui'. É muito legal isso”, vibra o estudante Jonas Campos, de 11 anos.
O padroeiro de Campo Grande é Santo Antônio até hoje. A fé foi trazida pelos mineiros, fundadores da cidade.
fonte: TV Morena

















