ENCOMENDA AO BRASIL
Publicado em: 14/09/2009 - 00:00:00O envio de lixo de países desenvolvidos para o seu despejo nos subdesenvolvidos não é uma prática recente. Países da América do Sul, África e Ásia já a conhecem de longa data porque muitos não tomam medidas punitivas para que não sejam reconhecidos como lixeira do mundo. Ainda mais nesta era em que se propaga um padrão consumista e o velho substitui-se cada vez mais rápido pelo novo, como noutra ocasião desdobrei no texto “Durabilidade”.
Um tema inquietante. Nos portos de Rio Grande (RS) e Santos (SP), encontrou-se uma quantidade enorme de lixo que saiu da Inglaterra sob o manto de produto para reciclagem a ponto de lotar vários contêineres. Flagraram-se, no segundo, 16 contêineres com 290 toneladas de lixo. Tratava-se, no entanto, de restos de alimentos, cabos de computador, embalagens sujas de produtos de limpeza, fraldas e travesseiros usados, tapetes rasgados, entre outros produtos entendidos como lixo comum.
Estima-se que mais de mil toneladas de lixo chegaram ao Brasil desde fevereiro provenientes da Inglaterra, o que tem provocado reações calorosas de reprovação na sociedade brasileira. De duas, uma: ou as empresas envolvidas em Rio Grande sofreram um golpe dos britânicos, que não teriam enviado o combinado, ou elas estão envolvidas num esquema de descarte internacional de resíduos. Fatos e rumores corroboram que não é a primeira vez que isto acontece.
Embora seja difícil culpar o governo inglês sem antes proceder com a investigação, é improvável que estes contêineres tenham deixado a Inglaterra sem alguma fiscalização. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a quem se fez a denúncia de que o material trazido correspondia a lixo em vez de material reciclável, exigiu o retorno do navio com a carga e determinou multa de R$150 mil a ser paga em valor igual tanto pela importadora como a transportadora.
Não creio que o Brasil seja condescendente com estas práticas humilhantes e ilegais que têm origem num estereótipo de subdesenvolvimento submisso que lutamos para deixar atrás. Este flagrante de lixo no Porto de Santos em início de julho e a repercussão que o acontecimento teve nos meios é um sinal de que temos muita gente que não só acredita neste país como também luta por ele.
Estou convicto de que o lugar do Brasil – e espero que num futuro próximo – é como exemplo para o mundo: espiritual, moral e material. O país tem dado mostras de intolerância às ervas daninhas, de avanços científicos e tecnológicos em áreas diversas, de desenvolvimento sustentável e responsabilidade com o meio ambiente e o ser humano. Embora tenhamos avançado nestes campos, ainda falta muito e isto só nos entusiasma. A encomenda que não serve mandamos de volta.
Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais.

















