FINALIDADE DA RÁDIO
Publicado em: 28/09/2009 - 00:00:00Desventurada hora em que queremos escutar uma boa música na rádio e, depois de
percorrer exaustivamente várias estações, tudo o que conseguimos sintonizar são
aquelas dez melhores canções que tocam todos os dias ou uma voz que estimula
incansavelmente a que compremos tal produto e tenhamos qual serviço que vai
eliminar nossas pretensas frustrações materiais e deixar-nos mais felizes,
bonitos e satisfeitos.
Em horário comercial, é o que
se encontra na maioria das estações de rádio. Os idealizadores desta tecnologia
no século XIX não imaginavam o alcance que esta invenção teria, que já foi usada
para fazer propaganda política em tempos de guerra. É mister destacar que a
finalidade da rádio não é só tocar música como se poderia esperar, uma vez que
este meio de comunicação serve até de forma de contato no transporte aéreo e
marítimo.
Enquanto ao conteúdo musical, o
repertório de uma rádio é escolhido em função do segmento de audiência que ela
quer alcançar e das diretrizes da indústria de fonogramas que determina quais
canções devem compor a lista das mais tocadas. O espectador é cúmplice de uma
trama comercial quando pede uma canção pelo telefone. A música é apenas um
aspecto, que me parece fator de isca criado por algumas emissoras para outros
fins.
Entendo a liberdade de
empreendimento e expressão como importante e necessária para o desenvolvimento
do país e de uma cidadania global, mas lamento que os que mais deveriam ouvir e
apreciar os programas educativos da rádio, quando e onde os tenha de qualidade,
são os que menos o fazem por cair na trama publicitária e das “10 mais ouvidas”
que eles mesmos solicitam por telefone.
As finalidades da rádio são tão
diversas, porém, que, enquanto um número de emissoras depende de propaganda e
outras formas de incentivo privado para divulgar, lucrar e sobreviver, há também
as que dedicam seu tempo para o jornalismo responsável e a programação de melhor
qualidade educativa. Dependendo de sua fonte de financiamento e orientação
ideológica, algumas dedicam também minutos a conselhos religiosos e
preces.
A famosa Voz do Brasil por
muito tempo ofereceu alternativa compulsória ao avanço da rádio privada e tentou
aproximar o cidadão brasileiro da política, embora sofresse resistência de
alguns setores. Trata-se do programa de rádio mais antigo do país e que informa
sobre as atividades dos poderes federais. Aproveito a oportunidade para recordar
a função social de rádios comunitárias, que sofrem de travas burocráticas para
licença de emissão.
Seja na rádio AM, cujo sinal
chega mais longe e de qualidade inferior por ser modulado por amplitude, ou na
FM, cujo sinal tem menor alcance e qualidade superior devido à modulação por
frequência, as opiniões e propostas críticas de intervenção na sociedade são
escassas, a menos que alguma rádio comunitária dê voz aos excluídos. Antes que
se reprima a falta de papéis pela burocracia que poucas vezes lhes dá o direito
de falar.
Bruno Peron Loureiro é analista de
relações internacionais.

















