Alcinopolis. Domingo, 21 de Abril de 2019. Boa Noite!

Saúde

Presentes nos jardins, caramujos africanos podem trazer doenças graves

Projeto da UCDB busca identificar presença de larvas nos moluscos

Presentes nos jardins, caramujos africanos podem trazer doenças graves

Presentes nos jardins, caramujos africanos podem trazer doenças graves

Caramujos africanos são moradores ocultos de áreas como pomares, hortas, terrenos baldios

e até mesmo do jardim da sua casa. Mas, basta uma chuva – como as dos últimos dias –

para que os moluscos saiam das tocas e deem as caras por aí.

Além de verminoses comuns, caramujos podem transmitir duas graves zoonoses (Fotos: Divulgação | UCDB)

O que muita gente não sabe, entretanto, é que estes animais podem causar riscos à

saúde e por isso mesmo precisam ser combatidos. Isso porque os caramujos africanos,

a espécie que foi introduzida no país na década de 1980, podem ser transmissores de

duas graves zoonoses, causadas por vermes do mesmo gênero.

Uma delas é a meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis.

Normalmente, ratos são o destino final do parasita, mas o homem pode se envolver acidentalmente

neste ciclo. Devido ao difícil diagnóstico, a doença pode ser fatal.

Outra grave zoonose é a angiostrangilíase abdominal, causada pelo Angiostrongylus costaricensis.

A doença costuma ser assintomática, mas, como os vermes se alojam nas parede intestinais,

podem causar a ruptura e, consequentemente, até mesmo o óbito das

vítimas, dentre as quais estão humanos.

O que fazer, então, para se protejer dos riscos trazidos pelo caramujo africano?

Pesquisa

Estudante faz coleta do molusco após a chuva (Foto: Divulgação | UCDB)

Entender como ocorre o ciclo dessas doenças e quais os potenciais riscos dos moluscos

em Campo Grande despertou a atenção de pesquisadores da UCDB (Universidade Católica

Dom Bosco). Desde 2016, o grupo Malacologia UCDB desenvolve trabalho que, atualmente,

já realiza coleta dos moluscos após dias de chuva, nas diversas regiões da cidade.

O objetivo é estudar os animais em laboratório e identificar ou não a presença de larvas de

Angiostrongylus, que causam as zoonoses. Após a coleta, os pesquisadores retiram os moluscos

das conchas e submetem a um processo conhecido como digestão articial, no qual os animais

ficam imersos em uma solução de ácido clorídrico por 6h. Após esta etapa,

as amostras são analisadas no microscópio, onde podem ser identificadas.

Atualmente, sob a tutela da professora Daniela Decanine, doutora em patologia

humana e experimental, o projeto conta com quatro alunos, dos cursos de biologia

e de biomedicina, que receberam treinamento especial da Fiocruz (Fundação

Oswaldo Cruz), referência na América Latina em pesquisas que ajudam a desenvolver políticas de saúde.

Das sete regiões da cidade, três já foram alvo de coletas dos caramujos:

Imbirussu, Segredo e Bandeira. Nesta última, no entanto, foi observado que a

presença de moluscos após as chuvas era bem mais que nas demais.

Animais são levados para laboratório para análise (Foto: Divulgação | UCDB)

A boa notícia é que as análises laboratoriais não identificaram a presença de nem do

Angiostrongylus cantonensis e nem do Angiostrongylus costaricensis. “Encontramos

diversas outras larvas, que acometem mais animais domésticos, como cães e gatos,

mas não os que podem afetar humanos. São vermes como Ascaris e Ancilóstomos”revela Decanine.

Segundo ela, além de expandir a área de coleta dos caramujos para as demais regiões da

cidade, o grupo também quer iniciar a coleta de lesmas – que assim como os outros moluscos,

fazem parte do ciclo de algumas doenças.

“Já há relatos científicos que trazem as lesmas como transmissores das mesmas doenças que

os caramujos. Nosso objetivo é comparar esses animais e as larvas que eles carregam”, acrescenta.

Cuidados com o extermínio

A docente destaca que, apesar das graves zoonoses não terem sido identificadas,

os caramujos precisam ser exterminados. Mas, há maneiras corretas de

fazer tal procedimento sem colocar a saúde em risco.

Deve-se usar luvas para fazer a coleta dos animais, antes de deixá-los por 24h

em mistura que vai eliminar os riscos à saúde (Foto: Divulgação | UCDB)

Normalmente, os caramujos saem das tocas após a chuva. É quando a catação

deve ocorrer, sempre utilizando uma luva ou saco plástico. Após isso, os animais

devem ser colocados em um recipiente contendo 3/4 de água e 1/4 de água sanitária por 24 horas.

“Após isso, o molusco vai dissolver e não vai mais oferecer riscos. A água suja pode

ser jogada na privada e a concha deve ser jogada no lixo, pois se ficar no ambiente ela

pode se tornar reservatório de mosquitos como o da dengue, por exemplo”, detalha Decanine.

 - MIDIAMAX

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